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Biocorrosão e biofouling: como microrganismos corroem metais, geram prejuízos bilionários e como prevenir

POST 2/5 –   BIOCORROSÃO: ASPECTOS GERAIS

CONCEITUAÇÃO

A biocorrosão é o processo eletroquímico de dissolução metálica,  iniciado ou acelerado por microorganismos. Tem sido usado também o termo corrosão influenciada ou induzida microbiologicamente.

Biofouling

O termo biofouling refere-se ao acúmulo indesejável de depósitos biológicos sobre uma superfície. Este depósito pode conter microorganismos (microfouling) e macroorganismos (macrofouling). Portanto, o biofouling resulta do acúmulo de biofilmes.

IMPACTO ECONÔMICO DA BIOCORROSÃO

O impacto econômico da biocorrosão é massivo, compondo uma fatia significativa dos custos globais da corrosão, que chegam a US$ 2,5 trilhões anuais (cerca de 3,4% do PIB mundial). A corrosão induzida por micro-organismos (CMI) afeta diretamente setores como óleo e gás, saneamento e energia, causando os seguintes danos:

Vazamentos e Acidentes Ambientais:

 Na indústria petroleira, bactérias sulfato-redutoras (BSR) corroem dutos, gerando multas milionárias e paradas não programadas.

Perda de Eficiência Energética:

O crescimento de biofilmes em trocadores de calor reduz a transferência térmica, aumentando o consumo de energia e os custos operacionais.

Substituição Precoce de Equipamentos:

Equipamentos industriais e infraestruturas de concreto ou metal têm suas vidas úteis drasticamente reduzidas, exigindo investimentos bilionários em manutenção e substituição.

AGENTES BIOCORROSIVOS

Os microrganismos que possuem atividade biocorrosiva distribuem-se em 3 principais grupos:  BACTÉRIAS, FUNGOS e ALGAS.

Bactérias biocorrosivas

As bactérias oxidantes de enxofre, geralmente são representadas pelo gênero Thiobacillus, microorganismos aeróbicos que utilizam o dióxido de carbono como principal fonte de carbono. O T. thioxidans  é capaz de oxidar 31 gramas de enxofre por grama de carbono, o que acarreta uma elevada acidez no meio, devido à produção metabólica de ácido sulfúrico. Essa elevada acidez confere grande agressividade ao ambiente, não apenas sobre superfícies metálicas, mas também em estruturas de pedra e concreto.

Fungos biocorrosivos

 Os fungos são organismos eucarióticos e, embora apresentem paredes rígidas como os vegetais, não possuem clorofila; sendo microorganismos heterótrofos. Produzem hifas aéreas com esporos assexuados na extremidade (conídios) ou no interior de uma estrutura (esporângios); apresentam também esporos sexuados relacionados com a reprodução. Os fungos crescem em ambientes que não são tolerados pelas bactérias (baixa umidade e pH ácido). Necessitam de menores concentrações de nitrogênio que as bactérias e são capazes de crescer em ambientes anaeróbicos. Entre os fungos relacionados à biocorrosão temos o Hormoconis resinae, Fusarium e Trichosporon, sendo o primeiro mais agressivo.

Características anatômicas e fisiológicas dos microrganismos que influenciam na corrosão:

Grande velocidade de reprodução;

 Alta relação superfície/volume;

 Atividade e flexibilidade metabólica de troca com o meio;        

 Distribuição uniforme no ambiente.

TRATAMENTO ANTICORROSIVO

O tratamento anticorrosivo por utilização de produtos químicos ou melhora na qualidade das ligas metálicas utilizadas não têm sido eficientes, produzindo perdas econômicas consideráveis e contaminando o ambiente.

MECANISMOS DE INIBIÇÃO MICROBIANA DA CORROSÃO

Neutralização da ação corrosiva do meio

Estabilização sobre um filme protetor sobre a superfície metálica

Modificação das características físico-químicas de um meio, reduzindo sua corrosividade.

PREVENÇÃO E CONTROLE DA BIOCORROSÃO E BIOFOULING

A correta utilização dos equipamentos e sua limpeza regular contribuem para a otimização dos métodos de prevenção.

Quanto aos métodos empregados para prevenir a biocorrosão, devemos considerar dois aspectos:

– a inibição do crescimento ou atividade metabólica dos microorganismos.

– a modificação das características do ambiente onde se desenvolve a corrosão, afim de evitar a adaptação dos microorganismos no meio.

Os métodos mais utilizados para prevenir e controlar a biocorrosão são:

Limpeza (química, mecânica).

Biocidas.

Biocidas

São compostos ou mistura destes, capazes de matar os microorganismos ou eliminar o crescimento microbiológico. Podem ser:

Inorgânicos: cloro, ozônio e bromo.

Orgânicos: isotiazolinas, compostos de amônio quaternário, aldeidos (glutaraldeido) e a acroleina.

Condições exigidas de um biocida em sistemas indústria

A eficácia do biocida depende da natureza dos microorganismos a eliminar e da escolha das condições de operação do sistema a tratar.

Um biocida de uso industrial por exemplo, exige condições e requisitos para sua utilização, tais como:

– Seletividade para os microorganismos a eliminar;

– Capacidade de manter o efeito inibidor diante de outras substancias presentes no meio em condições semelhantes a de operação;

– Não ser corrosivo para os metais do sistema.

Limpeza

Limpeza sistemática por processos mecânicos (raspadores ou pigs) ou por processos químicos e sanitização (solução alcalina contendo biocida)

A biocorrosão é um risco silencioso e bilionário para a indústria. Identificar os agentes, entender os mecanismos e aplicar biocidas e limpeza adequados é o caminho para proteger ativos e evitar prejuízos.

Continue acompanhando esta série e descubra, no próximo artigo, como os microrganismos atuam na prática — e como prevenir antes que o dano aconteça.

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