FBN NO FEIJÃO
O nitrogênio é um dos elementos presentes em maior concentração nos vegetais, sendo um dos principais nutrientes para o desenvolvimento das plantas. Ele exerce funções essenciais, colabora com o aumento na qualidade e produtividade dos grãos e é imprescindível na realização da fotossíntese. A sua ausência numa lavoura pode ser percebida pelo amarelecimento das folhas e pela dificuldade de desenvolvimento da planta de forma geral.
A Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) no feijão é um processo natural e sustentável onde bactérias Rhizobium tropici capturam o nitrogênio do ar e o transformam em nutrientes para a planta. Essa associação reduz custos com adubos nitrogenados químicos e preserva o meioambiente.
Como funciona e como aplicar
Inoculação: As sementes devem entrar em contato com o inoculante líquido ou turfoso específico antes do plantio.
Coinoculação: Para melhores resultados, adicione a bactéria Azospirillum brasilense junto com o Rhizobium, o que estimula o crescimento radicular e a absorção de nutrientes.
Micronutrientes essenciais: A eficiência da FBN exige aplicações de Cobalto (Co) e Molibdênio (Mo), fundamentais para que as bactérias fixem o nitrogênio com sucesso. Recomenda-se aplicar de 1,5 a 2 g/ha de Co e 15 a 20 g/ha de Mo, seja via tratamento de sementes ou aplicação foliar.
Vantagens e Limitações
Vantagem econômica e ambiental: Reduz ou substitui parte da adubação nitrogenada mineral, diminuindo os custos de produção.
Atenção ao ciclo do feijoeiro: Por ter um ciclo muito rápido (média de 90 dias), a FBN sozinha nem sempre supre toda a demanda da cultura. Em solos com baixa fertilidade ou para obter tetos de produtividade mais altos, é comum realizar uma complementação nitrogenada no início do ciclo (cerca de 100 kg/ha), utilizando a FBN como um excelente “adubo natural” complementar.
Dentre as bactérias diazotróficas, como são conhecidas as bactérias que fixam o nitrogênio, as bactérias formadoras de nódulos nas raízes das plantas (rizóbios) são constituídas por várias espécies que se associam as plantas da família Leguminosae, como o feijão-caupi, formando estruturas especializadas denominadas nódulos. Na maioria das leguminosas, os nódulos estão localizados nas raízes (Figura 1). Todavia, existem espécies leguminosas que apresentam nódulos localizados no tronco ou haste da planta.

Figura 1. Raízes de leguminosas com nódulos.
Quando a enzima nitrogenase está ativa, o interior dos nódulos apresenta uma coloração rósea (Figura 2) que indica a presença de moléculas transportadoras de O2, necessário para a respiração dos bacteróides (bactérias com alterações bioquímicas). Lembrando, que a nitrogenase é a enzima responsável em transformar o nitrogênio atmosférico (N2) em NH3, forma nitrogenada, prontamente assimilável para as plantas e outros organismos.

Figura 2. Nódulos róseos.
Uma ineficiência no processo de FBN pode resultar em sintoma de deficiência de nitrogênio e, conseqüentemente, em menor desenvolvimento da planta (Figura 3).

O nitrogênio é o quarto elemento mais abundante nas plantas, superado apenas pelo carbono, oxigênio e hidrogênio, sendo constituinte essencial de aminoácidos, proteínas, bases nitrogenadas, ácidos nucléicos, hormônios e clorofilas, entre outras moléculas.
A maior parte do nitrogênio, cerca de 94 %, está imobilizado na crosta terrestre; quase todo o restante está na atmosfera, indisponível para a maior parte dos organismos vivos.
Pesquisa avança no desenvolvimento de feijão mais eficiente em fixação biológica de nitrogênio
Pesquisadores dos estados de Goiás e Mato Grosso, no âmbito do programa de melhoramento genético de feijão da Embrapa, identificaram quatro linhagens de feijão carioca com potencial para o desenvolvimento de variedades mais eficientes em termos de Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN). As linhagens selecionadas foram consideradas fontes promissoras de genes para cruzamentos, com o objetivo de aprimorar características agronômicas desejáveis.
Referências
FRANCO, M.C.; CASSINI, S.T.A.; OLIVEIRA, V.R.; VIEIRA, C.; TSAI, S.M. Nodulação em feijão dos conjuntos gênicos andino e meso-americano. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.37, p.1145-1150, 2002.
SOARES, A.L.L.; PEREIRA, J.P.A.R.; FERREIRA, P.A.A.; VALE, H.M.M.; LIMA, A.S.; ANDRADE, M.J.B.; MOREIRA, F.M.S. Eficiência agronômica de rizóbios selecionados e diversidade de populações nativas nodulíferas em Perdões (MG). I – Caupi. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v.30, p.795-802, 2006a.
XAVIER, T.F.; ARAÚJO, A.S.F.; SANTOS, V.B.; CAMPOS, F.L. Ontogenia da nodulação em duas cultivares de feijão-caupi. Ciência Rural, v.37, p.56-564, 2007.

spssDiniz – 19/ junho/ 2026




