O milho é uma cultura que, para obter altas produtividades, extrai uma elevada quantidade de nutrientes do solo. Por isso, o manejo de adubação nitrogenada é fundamental todos os anos. O fornecimento desse nitrogênio também pode ocorrer de forma natural, por meio da fixação biológica de nitrogênio (FBN), em que a planta absorve o nitrogênio atmosférico. Essa fixação pode ser facilmente aprimorada com o uso de produtos biológicos contendo bactérias diazotróficas.
Como funciona o processo
Diferentemente das leguminosas, que formam nódulos visíveis nas raízes, no milho essa associação acontece de duas formas principais:
- Associativa (rizosfera): bactérias como o Azospirillum brasilense colonizam a superfície da raiz e o solo próximo, capturando o nitrogênio do ar e transformando-o em amônio (NH₄⁺) assimilável pelo milho. Além disso, produzem hormônios de crescimento que aumentam o volume radicular e a absorção de água e nutrientes.
- Endofítica (tecido foliar): inoculantes contendo bactérias como Methylobacterium symbioticum penetram pelos estômatos das folhas, colonizam o interior da planta e fixam nitrogênio atmosférico diretamente nos tecidos foliares.
Benefícios comprovados da inoculação com Azospirillum
A inoculação de milho com as estirpes Ab-V5 e Ab-V6 de Azospirillum brasilense, tecnologia validada pela Embrapa, estimula o crescimento radicular e a absorção de nutrientes. Essa prática permite reduzir em até 25% a adubação nitrogenada de cobertura sem perda de produtividade, além de mitigar a emissão de gases de efeito estufa.
Os principais benefícios são:
- Redução de custos: diminui a dependência de fertilizantes nitrogenados sintéticos tanto na safra quanto na safrinha.
- Maior enraizamento: o Azospirillum estimula a produção de fitohormônios, resultando em raízes mais profundas e maior tolerância ao estresse hídrico.
- Sustentabilidade: prática alinhada à agricultura de baixo carbono, reduzindo a pegada ecológica da lavoura.
Métodos de aplicação
As bactérias podem ser introduzidas na lavoura de diferentes maneiras:
- Tratamento de sementes: método mais comum e eficiente. As bactérias são misturadas às sementes antes do plantio.
- No sulco de plantio: aplicação direta do inoculante líquido no momento da semeadura.
- Aplicação foliar: recomendada para estirpes específicas que penetram pelas folhas.
Considerações finais
A fixação biológica de nitrogênio não substitui totalmente a adubação nitrogenada, mas atua como excelente complemento biológico. Deve ser manejada conforme as recomendações dos órgãos de pesquisa, como a Embrapa, respeitando as particularidades de cada região de plantio.
O nitrogênio é frequentemente o nutriente mais limitante à produção das culturas. Aumentar a capacidade de FBN em plantas que não são leguminosas representa uma tecnologia útil para elevar o rendimento, especialmente entre agricultores com menor acesso a insumos. Embora técnicas de manipulação genética possam ser exploradas, quanto maior o conhecimento sobre a bioquímica e fisiologia da FBN, mais claro fica que esse objetivo não será alcançado apenas pela transferência de genes.
Do nitrogênio total aplicado a uma cultura, raramente mais de 50% é assimilado. O processo natural de fixação biológica de nitrogênio tem papel fundamental no desenvolvimento de uma agricultura sustentável: minimiza a necessidade de adubação nitrogenada e gera efeitos benéficos sobre o ciclo global do nitrogênio, o aquecimento global e a contaminação do solo e da água. Esse processo depende de microrganismos em simbiose ou associação com as plantas — uma solução já disponível e validada para o milho brasileiro.
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Sérgio Dinizspdiniz.com.br



