O que é biocorrosão?
A biocorrosão, ou Corrosão Induzida por Microrganismos (CIM), é a degradação de materiais causada ou acelerada pela atividade de microrganismos. Bactérias e fungos formam biofilmes nas superfícies, alterando reações eletroquímicas e excretando ácidos e gases corrosivos. Esse fenômeno é uma das principais causas ocultas de falhas estruturais em ambientes industriais — e, na maioria das vezes, só é descoberto quando o dano já está feito.
Como ocorre a corrosão induzida por microrganismos?
O fenômeno ocorre em três etapas principais:
1. Formação do biofilme: Microrganismos aderem à superfície do metal (colônias sésseis) e criam uma camada biológica.
2. Alteração do meio: As bactérias metabolizam nutrientes e liberam subprodutos como ácidos orgânicos, sulfeto de hidrogênio (H₂S) e amônia.
3. Aceleração da corrosão: Esses subprodutos acidificam o ambiente e criam gradientes que aceleram a dissolução do material, gerando corrosão localizada.
Principais agentes da biocorrosão e seus impactos
Bactérias Redutoras de Sulfato (BRS): são os agentes mais comuns na biocorrosão em ambientes anaeróbios (sem oxigênio), reduzindo sulfato a sulfeto. Estudos atribuem a elas boa parte da corrosão interna em dutos e estruturas metálicas submersas.
Indústrias afetadas: o fenômeno apresenta alto risco de falhas estruturais, afetando severamente a indústria petroleira, saneamento, usinas hidroelétricas e plataformas marítimas.
Microrganismos como agentes corrosivos: o caso do ouro
Microrganismos não corroem ou “comem” o ouro metálico puro, pois ele é um metal extremamente nobre e quimicamente inerte. Em vez disso, bactérias e fungos interagem com o metal através de processos redox: eles secretam substâncias e enzimas que dissolvem íons de ouro ou precipitam partículas, agindo como bio-mineradores.
Principais microrganismos e suas interações com o ouro:
- Fungos (Fusarium oxysporum): estes fungos interagem com minerais no solo, absorvendo o ouro e secretando enzimas que reduzem os íons. Eles podem dissolver e solidificar nanopartículas de ouro em seus filamentos.
- Bactérias (Delftia acidovorans): secretam uma molécula chamada delftibactina. Essa substância faz com que o ouro dissolvido (tóxico para a bactéria) se precipite e forme aglomerados sólidos e inofensivos de metal.
- Bactérias (Cupriavidus metallidurans): presentes em locais com altas concentrações de metais pesados, absorvem compostos de ouro tóxicos dissolvidos e os transformam em partículas microscópicas de ouro metálico, ajudando a entender a formação natural de pepitas.
- Bactérias de mineração (Thiobacillus e Leptospirillum): não atacam o ouro diretamente, mas oxidam e corroem outros minerais (como a pirita) onde o ouro está incrustado. Isso abre poros no minério, facilitando a extração do metal precioso.
Como o ouro é danificado no cotidiano?
Embora esses microrganismos ajudem na extração e manipulação do ouro na natureza, a corrosão ou escurecimento de joias e peças de ouro no dia a dia ocorre devido a processos químicos, e não pela ação de bactérias. O fenômeno é geralmente causado por:
- Oxidação de ligas: o ouro puro (24 quilates) não sofre corrosão. No entanto, joias são feitas de ligas de ouro misturadas com outros metais (como prata, cobre e níquel). Esses metais de liga podem reagir com a umidade, suor e oxigênio, formando uma camada escura.
- Produtos químicos severos: substâncias como cloro ou misturas ácidas fortes (como a água régia) podem reagir e oxidar o ouro.
Biocorrosão: um tema que merece atenção
Entender a biocorrosão é o primeiro passo para preveni-la — e prevenção, aqui, significa menos paradas de planta, menos vazamentos e menos dinheiro perdido.
Nossas próximas publicações serão direcionadas a esse relevante tema – a Biocorrosão.
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